Sou assim; sofro antecipadamente, sempre. Eu ainda não sei o que me espera, mas antes que eu possa controlar as lágrimas já estão jorrando dos meus olhos como uma enxurrada que demora muito pra cessar. Quando alguém diz que 'precisa conversar' imagino milhares de coisas que posso ter feito de errado para deixá-lo chateado. Quando estou prestes a cair no chão, fecho os olhos e posso imaginar a dor que vem junto. Quando o relógio marca as cinco da tarde, mas o céu está escuro, sinto sono. Quando assisto a uma série e o personagem ainda sequer abriu a boca, me dou ao trabalho de rir horrores. E é como costuma ser, dou um passo a frente e cinco para trás mais tarde, tornando a repetir o possível erro mais vezes. Mas agora a menina viu que é errado, que não é justo; é doloroso.Porque, ela percebeu, quando as coisas começarem a desmoronar de verdade, estará tão centrada em sua própria dor que sequer perceberá o chão sumir abaixo de seus pés. Serão seus braços e pernas segurando firmemente ao redor de seu corpo quebrado numa tentativa de manter os pedaços juntos; sua cabeça estará em queda livre até a inconsciência quando finalmente perceber que deu voltas em torno do nada, chegando a lugar nenhum e então deixando uma vida que pediu, pediu desesperadamente, para ser vivida, para trás.