Hoje eu me dei conta de que esse é o sentimento que mais toma conta de mim. Muitas vezes eu paro e me permito pensar no quão saudosista eu sou. Eu tento me convencer de que não posso deixar as coisas que ficaram pra trás me afetarem, mas é só mais uma promessa que eu não sou capaz de cumprir.
Eu olho pra trás e penso em todas as pessoas que ficaram pelo caminho. O Chorão diz em uma música que "Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível", e é quando eu percebo que, durante toda a minha vida, eu estive rodeada por gente que protagonizou e eternizou vários momentos comigo. É engraçado, porque no momento em que as coisas acontecem, nós não damos o valor que elas merecem. Nós fazemos amizades e dizemos que vai ser pra sempre, mas no fundo a gente sabe que é tudo utópico.
(A surpresa vem quando os anos passam, e a amizade resiste ao tempo e se fortalece.)
Mesmo assim eu sinto saudade de quem ficou pra trás. Dos sorrisos e da risada fácil de gente que me fazia rir sem querer. De quem me magoou, mas passou tantas tardes brincando de bonecas comigo. Dos amigos que eu só vi por um dia, mas me cativaram o suficiente para que pudessem ser chamados de amigos. Saudade de momentos que duraram menos de vinte e quatro horas e que me fizeram sentir mais viva do que já estive minha vida inteira.
E que saudade de vocês, amigos imaginários, que me fazem bem mesmo estando há quilômetros de distancia. Vocês são mais reais que alguns sorrisos e abraços vazios que eu recebo constantemente. Obrigada por estarem comigo em palavras e pensamentos. Saudade dos abraços, beijos e mordidas que ainda não dei.
Que saudade que eu 'tava de escrever sobre saudade.
sábado, 20 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
Perder-se também é caminho...
Eu vivi. Eu fui eu mesma, me resgatei no meio de tantas Julias e Clarisses por algumas horas e foi reconfortante e libertador, ainda que tenha sido por algo tão bobo. Eu gritei quando quis, chorei quando deveria e fui feliz sem atrasos, tudo isso porque me arrisquei. Se em qualquer outro momento me perguntassem o que era a perfeição, eu não saberia o que dizer - mas naquele dia, seria fácil como respirar, responder que viver sem medo do mundo é o que torna tudo libertador. Tão mais gostoso que uma enorme taça de sorvete num dia de calor ou um abraço apertado num dia difícil. É bom olhar pro céu e imaginar o que existe além, sem medo de tropeçar nos pés ou parecer bobo diante dos olhos de alguém. Poder rir alto e de maneira esquisita, sem vergonha do que vão achar. Ficar o dia inteiro de pijamas comendo besteira. Andar descalço por aí, sem medo de cortar os pés nos cacos do espelho despedaçado que refletia um mundo feio e doente. No mundo perfeito pra onde eu fugi por um dia inteiro, não existia sujeira nem hipocrisia. Éramos meia dúzia de meninos perdidos, renegados pelo mundo e amados pelos Criador. Eu observei a lua até que desaparecesse e não dormi, só pra ver o sol nascer. Foi lindo. Imaginei que tinha alguém pintando o céu com os dedos lambuzados de tinta, e sorri.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Sobre Palavras Não Ditas
Pelo canto dos olhos, você pode vê-lo tremer. É véspera de Natal, e ele detesta o inverno, mas não se importou em sair da cama quando você pediu. É um daqueles dias em que neva pouco, mas incessantemente, e por isso a rua está molhada e escorregadia. Por vezes vocês deslizam desajeitadamente ao longo da calçada, mas você sabe que não vai cair, porque sua mão está firmemente segura na dele. Ele está usando luvas, um gorro estúpido de lã e um cachecol igualmente terrível, além de mais camadas de roupa do que você pôde contar.
Mas quando você pergunta se está com frio, ele apenas revira os olhos e sorri.
A bagunça não importa mais (há suco de tomate nas paredes e uma massa grudenta no ventilador de teto) – você só consegue pensar que não existe qualquer outro lugar no mundo onde deseja estar.
Quarenta minutos mais tarde, ainda não tomaram banho, e o entregador de pizza não tem muita certeza de que vocês podem pagar pela comida.
.
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Você sempre foi apaixonada por palavras. Elas alimentam, moldam e tem o poder de mudar as pessoas e o mundo pra melhor. Você escolheu isso pra viver porque foi o que sempre te atraiu e foi o que te transformou em quem você é. É fácil pegar um lápis e uma folha de papel e descarregar o que está sentindo. E toda a sua vida foi assim. Sendo movida por pontos e vírgulas porque era o suficiente - funcionava bem daquele jeito.
Ele é seu melhor amigo, e você ama o modo como ele sorri e te abraça, mas principalmente como te faz feliz sem precisar de muito. Você ama estar em seus braços e ama a sensação de não precisar de mais nada ou ninguém quando está com ele. E então descobre que ama poder alimentar o mundo, mas – de uma forma inexplicável – ama muito mais o fato de não precisar de mais que uma frase mal articulada de cinco palavras pra dizer o que está sentindo.
-Eu acho que amo você.
Ele sorri. Você está em seus braços novamente e ele não compartilha o seu sentimento por palavras, mas em cinco segundos vai demonstrar o quanto te ama – com a boca procurando ansiosamente pela sua.
Mas quando você pergunta se está com frio, ele apenas revira os olhos e sorri.
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Ele sabe que é bom em muitas coisas, e talvez por isso seja tão difícil de acreditar quando você diz que cozinhar não é uma delas. Então você se contenta em observar, sorrindo como um gato que comeu um canário, enquanto ele se atrapalha ao redor da cozinha, deixando um rasto de sujeira e bagunça como prova de sua total incompetência como chef. Por um minuto você considera a possibilidade de ficar brava, mas foi apenas o tempo de que ele precisou para deslizar sorrateiramente até você e esmagá-la em um abraço quente, repleto de farinha e molho de tomate..
A bagunça não importa mais (há suco de tomate nas paredes e uma massa grudenta no ventilador de teto) – você só consegue pensar que não existe qualquer outro lugar no mundo onde deseja estar.
Quarenta minutos mais tarde, ainda não tomaram banho, e o entregador de pizza não tem muita certeza de que vocês podem pagar pela comida.
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Ele é seu melhor amigo, e você ama o modo como ele sorri e te abraça, mas principalmente como te faz feliz sem precisar de muito. Você ama estar em seus braços e ama a sensação de não precisar de mais nada ou ninguém quando está com ele. E então descobre que ama poder alimentar o mundo, mas – de uma forma inexplicável – ama muito mais o fato de não precisar de mais que uma frase mal articulada de cinco palavras pra dizer o que está sentindo.
-Eu acho que amo você.
Ele sorri. Você está em seus braços novamente e ele não compartilha o seu sentimento por palavras, mas em cinco segundos vai demonstrar o quanto te ama – com a boca procurando ansiosamente pela sua.
Strawberry Fields Forever
Você estava ali o tempo inteiro. Nunca notaram isso.
Não seria bom se todos soubessem o seu nome? Não importa quantas vezes você faça o mesmo caminho, carregando mais fardos do que você é e sempre foi capaz de suportar; é como um rosto sem face. Você carrega o peso do mundo sob os seus ombros, e mesmo assim nunca ninguém foi capaz de te agradecer.
Continuava ali, com a mesma face cansada. Observando tudo, vendo o mundo girar em espiral, esperando o momento da queda. Não importa, não de verdade, que um dia você tenha sangrado e pago por todos os seus pecados – os deles também. Os homens não são capazes de admitir e conviver com seus erros. É mais conveniente suportar a dor.
É fácil viver com os olhos fechados.
Não seria bom se todos soubessem o seu nome? Não importa quantas vezes você faça o mesmo caminho, carregando mais fardos do que você é e sempre foi capaz de suportar; é como um rosto sem face. Você carrega o peso do mundo sob os seus ombros, e mesmo assim nunca ninguém foi capaz de te agradecer.
Continuava ali, com a mesma face cansada. Observando tudo, vendo o mundo girar em espiral, esperando o momento da queda. Não importa, não de verdade, que um dia você tenha sangrado e pago por todos os seus pecados – os deles também. Os homens não são capazes de admitir e conviver com seus erros. É mais conveniente suportar a dor.
É fácil viver com os olhos fechados.
domingo, 7 de abril de 2013
'Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas'
Existem aqueles que se perdem de maneiras destrutivas; a estes, não existe a chance de encontrar o caminho de volta. Ludibria e cria fantasias; permite que estes tolos viajem sem sair da sala e beijem as nuvens mais altas do céu sem tirar os pés no chão, mas o resultado desastroso é tão inevitável quanto o que se poderia esperar de alguém que fez todas as escolhas erradas na vida.
Também se perdem aqueles que excitados por um som – o arranjo bonito de uma sinfonia ou palavras doces sussurradas por alguém que a gente ama - bebem tudo o que ouvem. Acreditando e se deixando levar por coisas que talvez não devessem fazer sentido por serem tão vazias. Estes são aqueles que precisam saber de qualquer um que, independente de tudo, o mundo continua o mesmo e está tudo bem. As pedras continuam sendo pedras e as pessoas ainda precisam de ar para continuar vivendo. Tão certo como o sol nascer todos os dias, existe a certeza de que em algum momento, entre o certo e errado, se encontrem para dizer que aprenderam a se virar.
Eu sou daquelas que se perde entre as páginas de um livro surrado e marcado por mãos suadas e ansiosas por um final satisfatório; me permito esquecer de tudo o que existe a minha volta e sem pensar duas vezes me torno um personagem abstrato daquela estória; um narrador dispensável que se contenta em exclamar seus "oh's" e "ahh's" de vez em quando. Em certo ponto, alguém observaria enquanto eu, com meu nariz enterrado entre as folhas de um livro, riria de forma estridente ou choraria de maneira desconsolada, porque sem querer me tornei muito mais fiel aquele mundo e a seus personagens do que se podia esperar.
Às vezes me pego observando as pessoas e me impressionando com o quão influenciável o mundo pode ser; não importa de que maneira, todos nós acabamos por nos perder. O mundo seria um lugar melhor se não fosse mundo. Se não vivêssemos através do reflexo doente de um espelho, se não fizéssemos todos parte de uma sociedade fútil que mais parece uma tribo de canibais a espera da carne e sangue de alguém. Me acho quando o livro acaba, mas volto a me perder – dando mais e mais voltas – quando saio do meu papel de narrador e expectador.
É fácil entender porque as pessoas se perdem com tanta facilidade; é mais fácil estar alheio a toda a ignorância do mundo a ter de conviver com ela. Você nasce e cresce atento ao fato de que em algum momento terá de fazer uma escolha – como pretende se perder? – que vai ditar a sua vida dali para frente. E mesmo assim você não escapa do mundo. Você não escapa das escolhas e da mesquinharia das pessoas, mas acima de tudo você não escapa de quem você realmente é. Não importa quantos livros você leia, ou quantas pessoas você ame, ou quanta porcaria você obrigue seu corpo a ingerir.
Veja bem; o engraçado da vida, é que não importa a sua escolha – a maneira com a qual você se perdeu e mais tarde se encontrou, como você viveu. Mais inevitável que o possível resultado de suas ações, é a morte. Onde todos são iguais e compartilham do mesmo destino, onde a semelhança finalmente será friamente exposta. Todos nós deixaremos de tentar ser o que nunca fomos para sermos acolhidos e engolidos pela mesma terra que foi motivo de tanta ganância; tantas idas e vindas, encontros e desencontros.
Também se perdem aqueles que excitados por um som – o arranjo bonito de uma sinfonia ou palavras doces sussurradas por alguém que a gente ama - bebem tudo o que ouvem. Acreditando e se deixando levar por coisas que talvez não devessem fazer sentido por serem tão vazias. Estes são aqueles que precisam saber de qualquer um que, independente de tudo, o mundo continua o mesmo e está tudo bem. As pedras continuam sendo pedras e as pessoas ainda precisam de ar para continuar vivendo. Tão certo como o sol nascer todos os dias, existe a certeza de que em algum momento, entre o certo e errado, se encontrem para dizer que aprenderam a se virar.
Eu sou daquelas que se perde entre as páginas de um livro surrado e marcado por mãos suadas e ansiosas por um final satisfatório; me permito esquecer de tudo o que existe a minha volta e sem pensar duas vezes me torno um personagem abstrato daquela estória; um narrador dispensável que se contenta em exclamar seus "oh's" e "ahh's" de vez em quando. Em certo ponto, alguém observaria enquanto eu, com meu nariz enterrado entre as folhas de um livro, riria de forma estridente ou choraria de maneira desconsolada, porque sem querer me tornei muito mais fiel aquele mundo e a seus personagens do que se podia esperar.
Às vezes me pego observando as pessoas e me impressionando com o quão influenciável o mundo pode ser; não importa de que maneira, todos nós acabamos por nos perder. O mundo seria um lugar melhor se não fosse mundo. Se não vivêssemos através do reflexo doente de um espelho, se não fizéssemos todos parte de uma sociedade fútil que mais parece uma tribo de canibais a espera da carne e sangue de alguém. Me acho quando o livro acaba, mas volto a me perder – dando mais e mais voltas – quando saio do meu papel de narrador e expectador.
É fácil entender porque as pessoas se perdem com tanta facilidade; é mais fácil estar alheio a toda a ignorância do mundo a ter de conviver com ela. Você nasce e cresce atento ao fato de que em algum momento terá de fazer uma escolha – como pretende se perder? – que vai ditar a sua vida dali para frente. E mesmo assim você não escapa do mundo. Você não escapa das escolhas e da mesquinharia das pessoas, mas acima de tudo você não escapa de quem você realmente é. Não importa quantos livros você leia, ou quantas pessoas você ame, ou quanta porcaria você obrigue seu corpo a ingerir.
Veja bem; o engraçado da vida, é que não importa a sua escolha – a maneira com a qual você se perdeu e mais tarde se encontrou, como você viveu. Mais inevitável que o possível resultado de suas ações, é a morte. Onde todos são iguais e compartilham do mesmo destino, onde a semelhança finalmente será friamente exposta. Todos nós deixaremos de tentar ser o que nunca fomos para sermos acolhidos e engolidos pela mesma terra que foi motivo de tanta ganância; tantas idas e vindas, encontros e desencontros.
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