terça-feira, 30 de novembro de 2010

'Nunca fui muito boa nessa coisa de me descrever. Sempre achei que um gesto poderia dizer quem eu era, mais facilmente que um texto enorme. Já me identifiquei com livros e músicas. Algumas imagens também. Eu nunca disse que sou normal. Mas, na verdade, ser normal é completamente entediante.'

Ama dias de frio e noites de chuva. Adora ficar na rua olhando o céu e procurando as estrelas ou algum brilho fraquinho da lua, quando a noite está nublada. Tem uma trilha sonora só dela, e não gosta de dividir com mais ninguém. Pizza é o prato favorito, mas também adora comer arroz. Prefere o preto, mas o azul também é cool. Crê em Deus como seu Senhor e único Salvador, não importa o que as pessoas digam. Família e amigos são coisas sem as quais não saberia viver; o amor é incondicional. Apaixonada por velharia: blues e jazz a qualquer hora. Tem vários vícios, muitos dos quais nem tem consciência. TOC nas horas mais inoportunas e ri de tudo, o que acaba sendo uma grande furada na maioria das vezes. Já fez muita cagada na vida e derramou muitas lágrimas por pessoas que não mereciam. Hoje não se importa mais com o que dizem a seu respeito, mesmo que não seja pouca coisa. Escrever é a maneira mais fácil de desabafar e a coisa que mais gosta de fazer (principalmente em 3ª pessoa). Assim como os vícios, tem muitos defeitos também, mas aparentemente ninguém está a salvo disso. Costuma pensar que todas as pessoas tem dois lados; um que demonstram em publico e outro que reservam para si mesmas. Ganhou o título de pessoa mais carente do mundo e nem ousou discordar. Tem essa coisa de sentir vontade de chorar por tudo e não conseguir esconder de ninguém. Devoradora de livros assumida. Ouve a mesma música mil vezes e geralmente demora muito pra enjoar. Já começou a fazer muita coisa e nunca terminou; mania ridícula. Apesar de estar sempre sorrindo, nem metade de todos esses sorrisos são de verdade.Odeia filmes de terror e dias muito quentes. Se recusa terminantemente a comer palmito e cerejas; já tentou virar vegetariana e, desnecessário dizer que falhou miserávelmente. Não sabe demonstrar interesse e na maioria das vezes acaba fazendo papel de idiota; coisa que acontece com muita freqüência, na verdade. Sabe que conseguir viver a vida é um desafio que você tem que enfrentar todos os dias, mas gosta de fechar os olhos e imaginar que está tudo bem; mesmo que não esteja.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

The Fear


Quando somos crianças, uma das perguntas que mais ouvimos das pessoas, independente de quem elas sejam, é:
O que você quer ser quando crescer?
Eu nunca soube o que queria ser. Minha resposta sempre mudava. Algumas vezes eu dizia que queria ser professora e em outras eu dizia que gostaria de ser veterinária, como também já disse que gostaria de ser fotografa e médica. Lembro que costumava ficar brava, porque eu sempre recebia risinhos e incentivos seguidos de 'Você vai ter que estudar muito pra isso' ou 'Isso não seria ótimo?' dos adultos a volta. E então depois de um tempo, eu comecei a ficar realmente ofendida com aquela pergunta e apenas parei de respondê-la. Apenas dizia que não sabia o que queria ser ou respondia algo estúpido como 'Alta, pra variar'.
Com o passar do tempo, eu via coisas mudando e primos ou amigos mais velhos ralando muito pra conseguir ser alguém na vida e aquele sentimento bobo de estar ofendida quando me faziam a mesma pergunta foi substituído por medo. Minha mãe sempre quis que eu fosse advogada e grande parte da família do meu pai queria que eu seguisse carreira na medicina. Não importava quando tempo passasse, eu nunca soube responder aquilo com clareza e as duvidas apenas cresciam. Eu tinha medo de desapontar alguém com o que eu escolhesse e ser pressionada nunca ajudou em nada, diga-se de passagem.
E então o medo deu espaço para um sentimento maior chamado insegurança e eu cheguei ao ponto de apenas desejar que tudo desse certo no final. A vida me surpreendeu e me fez desistir de tudo por muito tempo, inclusive de ser feliz. Hoje eu ainda não estou inteira, mas estou quase 100% colada de novo. Depois de tanta insegurança e tanto medo, se me perguntassem o que eu quero ser 'quando crescer' eu responderia, sem medo, que ser feliz pelo resto da vida bastaria. Sem medo de sofrer e de derramar lágrimas. Sem pensar em todas as coisas que deixei de fazer e esquecer de todos os possíveis 'e se'. Eu diria que quero viver a minha vida sem arrependimentos com as pessoas que eu amo ao meu redor, sempre fazendo parte da minha vida como deve ser e com alguém que me ame com o mesmo desejo de bem-estar e felicidade que eu sinto.
Deixaria todas as lembranças ruins de lado pra dar espaço para que novas preenchessem minha mente e meus dias seriam novos e diferentes, todos eles vividos com satisfação.
É isso o que eu quero.

Só isso.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

4x4

"Eu disse a uma amiga:
-A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
-Mas lembre-se de que você também superexige da vida.

Sim."

Clarice Lispector

sábado, 13 de novembro de 2010

About me and other things

Eu como chocolates quando estou deprimida ou qualquer outra coisa que me faça ficar mais gorda do que o normal. Choro até ficar desidratada quando brigo com meus pais ou meus amigos e sempre acabo correndo atrás pra consertar a burrice que eu fiz. Amo as pessoas incondicionalmente, mesmo que elas não mereçam isso. Ouço músicas mesmo sem perceber e falo em inglês comigo mesma quando fico nervosa. Questiono a minha sanidade a todo minuto e descobri recentemente que as coisas que me distraíam antes, não surtem mais efeito.

'Grandes meninas não choram, escrevem'

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Can ask you a favor?"


Novo vício: '10 Things I Hate About You'. A série é baseada np filme com o mesmo nome e é tão boa quanto. Infelizmente foi cancelada (Deus sabe porque), mas pra isso existem reprises xD

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

domingo, 7 de novembro de 2010

Dor

Dor de cabeça, dor de barriga, dor de ouvido. Dor de dente, dor de coluna, dor no joelho.
Dor de saudade, dor de amor e dor de corno. Dor de doer e dor de chorar. Dor de morrer e dor de desabafar. Dor de gritar e espernear e dor de aguentar calado, com a cabeça baixa.
Dor de gritar e dor de sussurrar. Dor de caretas e risadas debochadas. Dor de brincadeira.
Dor. Toda dor dói, toda dor te faz pensar o que fazer pra fazer cessar.

Dor. Dor de perda.

Dor de ver alguém que se ama partir sem dizer 'adeus'. Dor de não poder se despedir, porque quando você menos espera, já foi embora. Dor de amigo, que sente a sua tristeza e sofre junto. Dor de pai e mãe, quando perde um filho tão cedo e dor de filho que perde os pais e não sabe mais o que fazer.

Dor. Dor, dor, dor. Toda dor é igual, toda dor têm três letras e a mesma pronuncia. A dor que nunca acaba, que só aprende a se conviver.

Aquela dor que só Ele pode confortar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

The girl smile

São seus passos enquanto anda com aquele enorme sorriso no rosto e os olhos que observam tudo com curiosidade. Os detalhes que nunca havia reparado antes, de repente saltando aos seus olhos. Eram as folhas secas e em diferentes formatos no chão e os sons a sua volta que a faziam parar pra sorrir de vez em quando. Sons de pessoas que conversavam felizes entre si e carros que buzinavam impacientes. Crianças que riam e latidos de cachorros enquanto erguia a cabeça a observava tudo se movimentar em uma velocidade incrível ao seu redor ao mesmo tempo que tudo parecia andar tão devagar.
Passos apressados e palavras rápidas enquanto as nuvens flutuavam preguiçosamente no céu e alguns abraços pareciam querer durar a eternidade.
E foi tudo aquilo que a fez sorrir aquele dia. Ver o mundo girar e as coisas acontecendo como deveria ser. Pessoas vivendo suas vidas como fizeram acontecer e outras que apenas não tiveram qualquer chance de escolha - mas, ainda assim, pareciam satisfeitas com o que tinham.
Por isso não se importou com a multidão que a empurrava e passava apressada por ela e apenas parou. Parou, fechou os olhos e ergueu a cabeça, sentindo-se bem como nunca esteve antes e aproveitando aquele momento.
Não sabia o que esperar do amanhã, mas estava feliz por estar vivendo o 'agora' e poder sorrir sem culpa nem preocupações.
Era um belo sorriso bobo.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Let the seasons begin...

"Então, o que isso quer dizer?" disse enquanto levava minha xícara aos lábios e bebia um longo gole de meu café. Abaixei um pouco minha cabeça quando senti seu olhar sob mim. Imediatamente senti meu coração disparar e agradeci a Deus por estar sentada; minhas pernas não aguentariam muito caso estivesse em pé.
"Hm... como assim?" tive vontade de rir quando ouvi sua voz. Não era como se eu nunca tivesse ouvido antes, mas ainda assim parecia... diferente, talvez?
"Você sabe... essa coisa de ficarmos nos olhando sem trocarmos uma palavra por quase quatro meses e agora estarmos tomando café como velhos amigos."
E então algo incrível aconteceu: ele riu. E o som de sua risada era bom de se ouvir. Você sabe, daquelas risadas que te fazem sentir vontade de se ficar bem e sorrir sem motivo. Não que eu nunca tivesse o visto feliz antes. Não. Na verdade, sempre que ele estava rodeado pelos amigos o via rir, mas sempre me mantive afastada o suficiente para não ouvir o que estavam dizendo.
E de repente, eu soube que, naquela tarde, tudo seria novo. Uma descoberta a cada diálogo tímido e palavras que me fariam perder a linha do raciocínio sem precisar medir esforço.
Confesso que estava ansiosa por aquilo.
"Não faço idéia." ele respondeu quando recuperou o fôlego com o sorriso que eu estava habituada a ver sempre que tinha a oportunidade de espiar sem ser pega no ato - ou era assim que eu pensava. "Acho que... só cansei de manter distância." tomei mais um gole de meu café, àquela altura frio, quando ele olhou pra mim. Pelo canto do olho pude vê-lo sorrir mais e eu também não pude reprimir o sorriso em que meus lábios se retorceram quando percebi que ele estava corando.
Já estávamos daquela maneira, trocando palavras vazias e nos olhando como os perfeitos idiotas que éramos, há quase uma hora. O silêncio não era, de longe, tão constrangedor quanto eu imaginei que seria. Na verdade, era agradável de uma maneira muito estranha e ao mesmo tempo perfeitamente... normal entre nós. Como uma rotina maluca ou um hábito que havíamos adquirido sem perceber.
No final da tarde, depois de algumas xícaras de café, e muitos sorrisos e olhares tímidos trocados, eu me sentia feliz. Ridiculamente satisfeita e feliz.
Tão feliz quanto algumas pessoas depois de devorar uma barra de chocolate ou assistirem o pôr-do-sol.
E enquanto caminhávamos em direção ao ponto de ônibus, lado a lado, com enormes sorrisos no rosto, mas sem trocar uma palavra, o ouvi sussurrar, baixo, mas alto o suficiente para que apenas eu ouvisse. Algo que fez com que meu coração inflasse de alegria e, por um momento, eu tivesse essa duvida de que não caberia mais no meu peito:
"Ei."
"Hm...?"
"Já mencionei o quanto gosto de estar com você?"
E eu apenas olhei para o chão enquanto sentia sua mão me puxar pra perto e me abraçar de maneira desengonçada. Não sabia se meu peito poderia continuar comportando meu coração, uma vez que eu sentia que ele estava prestes a explodir de tão grande, mas eu, francamente, simplesmente não podia me importar menos com isso.
Encostei minha cabeça em seu ombro quando finalmente chegamos e fechei os olhos, agora me perguntando se o sorriso que eu tinha no rosto se desmancharia um dia.
"Não. Mas é muito bom saber"