terça-feira, 13 de julho de 2010

Sempre

Olhe pra mim e diga o que você vê.

E quando você encarar meu rosto, tente não se chocar.

Minha boca tornou-se seca desde o último beijo; a face magra e descuidada desde o último toque. Os olhos perderam o brilho desde o último olhar. São opacos. São vazios. Sem vida. Como eu.

Desde que foi embora.

Sem garantia de que voltaria. Sem um abraço ou um beijo. Você nunca disse 'adeus', só me deixou. As palavras ficaram penduradas no ar, embaralhadas como um difícil quebra-cabeça. O irônico é que eu sempre fui boa demais com as palavras, mas quando finalmente entendi, já era tarde demais.

Mas antes que eu tivesse chance de mentir - pra mim. A 'não-tão-mentira' viria depois - que tudo ficaria bem, eu estava caindo. E o choque contra o chão, foi o suficiente pra me fazer encarar a realidade e sentir dor.

As lágrimas começaram a fluir livremente em meu rosto e meus soluços a preencherem o quarto. Respirar fazia doer e eu não tinha forças pra me erguer. Até que, finalmente, me senti miserável o suficiente e as lágrimas secaram. Engoli todos os soluços que ainda restavam em minha garganta e as lamúrias ficaram cada vez mais baixas, até não passarem de um... mero... sussurro.

Aquela noite eu passei no chão frio. Minha mente vazia e o olhar perdido no nada. Minha respiração falha. Pensei ter ouvido meu coração bater...

Tum-Tum... Tum-Tum...

... mas então lembrei que você estava com ele.

E não ouvi mais nada.