"Hm... como assim?" tive vontade de rir quando ouvi sua voz. Não era como se eu nunca tivesse ouvido antes, mas ainda assim parecia... diferente, talvez?
"Você sabe... essa coisa de ficarmos nos olhando sem trocarmos uma palavra por quase quatro meses e agora estarmos tomando café como velhos amigos."
E então algo incrível aconteceu: ele riu. E o som de sua risada era bom de se ouvir. Você sabe, daquelas risadas que te fazem sentir vontade de se ficar bem e sorrir sem motivo. Não que eu nunca tivesse o visto feliz antes. Não. Na verdade, sempre que ele estava rodeado pelos amigos o via rir, mas sempre me mantive afastada o suficiente para não ouvir o que estavam dizendo.
E de repente, eu soube que, naquela tarde, tudo seria novo. Uma descoberta a cada diálogo tímido e palavras que me fariam perder a linha do raciocínio sem precisar medir esforço.
Confesso que estava ansiosa por aquilo.
"Não faço idéia." ele respondeu quando recuperou o fôlego com o sorriso que eu estava habituada a ver sempre que tinha a oportunidade de espiar sem ser pega no ato - ou era assim que eu pensava. "Acho que... só cansei de manter distância." tomei mais um gole de meu café, àquela altura frio, quando ele olhou pra mim. Pelo canto do olho pude vê-lo sorrir mais e eu também não pude reprimir o sorriso em que meus lábios se retorceram quando percebi que ele estava corando.
Já estávamos daquela maneira, trocando palavras vazias e nos olhando como os perfeitos idiotas que éramos, há quase uma hora. O silêncio não era, de longe, tão constrangedor quanto eu imaginei que seria. Na verdade, era agradável de uma maneira muito estranha e ao mesmo tempo perfeitamente... normal entre nós. Como uma rotina maluca ou um hábito que havíamos adquirido sem perceber.
No final da tarde, depois de algumas xícaras de café, e muitos sorrisos e olhares tímidos trocados, eu me sentia feliz. Ridiculamente satisfeita e feliz.
Tão feliz quanto algumas pessoas depois de devorar uma barra de chocolate ou assistirem o pôr-do-sol.
E enquanto caminhávamos em direção ao ponto de ônibus, lado a lado, com enormes sorrisos no rosto, mas sem trocar uma palavra, o ouvi sussurrar, baixo, mas alto o suficiente para que apenas eu ouvisse. Algo que fez com que meu coração inflasse de alegria e, por um momento, eu tivesse essa duvida de que não caberia mais no meu peito:
"Ei."
"Hm...?"
"Já mencionei o quanto gosto de estar com você?"
E eu apenas olhei para o chão enquanto sentia sua mão me puxar pra perto e me abraçar de maneira desengonçada. Não sabia se meu peito poderia continuar comportando meu coração, uma vez que eu sentia que ele estava prestes a explodir de tão grande, mas eu, francamente, simplesmente não podia me importar menos com isso.
Encostei minha cabeça em seu ombro quando finalmente chegamos e fechei os olhos, agora me perguntando se o sorriso que eu tinha no rosto se desmancharia um dia.
"Não. Mas é muito bom saber"