Certa vez assisti um filme, com um ator cujo o nome não lembro agora e um garotinho realmente adorável. Esse garotinho tinha acabado de perder os pais e esse cara acabou ganhando essa companhia pequena de presente, mesmo relutando muito no começo. E acontece que esse menininho era realmente inseguro com as pessoas a sua volta, com medo de tudo, do mundo. Então esse tio, é, esse cara interpretado pelo ator famoso que eu não lembro o nome, deu um par de óculos velhos pro garotinho assustado dizendo que eram mágicos; dizendo que quando ele os colocava, ficava invisível aos olhos das pessoas e que ele não precisava mais ter medo de nada nem ninguém porque, para o resto do mundo, era como se ele não estivesse ali -como se não existisse. Foi um gesto bobo, coisa que costumamos ver em uma comédia dramática, mas eu achei tão bonito. Achei bonita a atitude de ajudar alguém que ele mal conhecia, mas que já havia aprendido a amar e achei bonito o modo como o garoto parecia orbitar em torno dele, o modo como confiava naquele adulto desajeitado e beberrão de cerveja. Era engraçado de se ver o garotinho com aquela armação enorme no rostinho tão pequeno confiante de que tudo estava bem. E a verdade é que já assisti esse filme uma tantas vezes e não consigo deixar de imaginar como seria estar invisível pro resto do mundo. Num mundo onde a perfeição é a unica coisa que, de fato, importa. Um mundo onde você é aceito pelo que você aparenta ser e não pelo que você é na real. Na minha enorme lista de desejos agora 'ta rabiscado que eu gostaria de ser invisível por um dia, pelo menos para certas pessoas. Não existir por algum curto espaço de tempo e deixar tudo de lado, o medo constante do nada e do tudo, de falhar com aqueles que me importam. Poder andar por aí, ou simplesmente fazer nada, mas sempre consciente do que acontece a minha volta. Observar tudo como alguém que vê um filme em uma tela grande, se dando ao luxo de observar cada cena com atenção; sem perder qualquer movimento, qualquer palavra, sem o medo de ser descoberta e parecer louca. Cada sorriso e cada lágrima refletidos nas lentes dos meus óculos mágicos e gravados na minha retina, saboreando a sensação de ser uma intrusa bem sucedida e um tanto sacana por um dia inteiro.
sábado, 16 de abril de 2011
Óculos Mágicos
Certa vez assisti um filme, com um ator cujo o nome não lembro agora e um garotinho realmente adorável. Esse garotinho tinha acabado de perder os pais e esse cara acabou ganhando essa companhia pequena de presente, mesmo relutando muito no começo. E acontece que esse menininho era realmente inseguro com as pessoas a sua volta, com medo de tudo, do mundo. Então esse tio, é, esse cara interpretado pelo ator famoso que eu não lembro o nome, deu um par de óculos velhos pro garotinho assustado dizendo que eram mágicos; dizendo que quando ele os colocava, ficava invisível aos olhos das pessoas e que ele não precisava mais ter medo de nada nem ninguém porque, para o resto do mundo, era como se ele não estivesse ali -como se não existisse. Foi um gesto bobo, coisa que costumamos ver em uma comédia dramática, mas eu achei tão bonito. Achei bonita a atitude de ajudar alguém que ele mal conhecia, mas que já havia aprendido a amar e achei bonito o modo como o garoto parecia orbitar em torno dele, o modo como confiava naquele adulto desajeitado e beberrão de cerveja. Era engraçado de se ver o garotinho com aquela armação enorme no rostinho tão pequeno confiante de que tudo estava bem. E a verdade é que já assisti esse filme uma tantas vezes e não consigo deixar de imaginar como seria estar invisível pro resto do mundo. Num mundo onde a perfeição é a unica coisa que, de fato, importa. Um mundo onde você é aceito pelo que você aparenta ser e não pelo que você é na real. Na minha enorme lista de desejos agora 'ta rabiscado que eu gostaria de ser invisível por um dia, pelo menos para certas pessoas. Não existir por algum curto espaço de tempo e deixar tudo de lado, o medo constante do nada e do tudo, de falhar com aqueles que me importam. Poder andar por aí, ou simplesmente fazer nada, mas sempre consciente do que acontece a minha volta. Observar tudo como alguém que vê um filme em uma tela grande, se dando ao luxo de observar cada cena com atenção; sem perder qualquer movimento, qualquer palavra, sem o medo de ser descoberta e parecer louca. Cada sorriso e cada lágrima refletidos nas lentes dos meus óculos mágicos e gravados na minha retina, saboreando a sensação de ser uma intrusa bem sucedida e um tanto sacana por um dia inteiro.