A grama estava molhada quando ela deitou-se ali, braços e pernas abertos, cabelos espalhados por todos os cantos em uma bagunça bonita de se ver. Uma jujuba - vermelha, porque eram suas preferidas - na boca, tingindo-a gradualmente enquanto sentia o sabor doce se espalhar; a lingua estalando no céu da boca e fazendo um breve barulho engraçado. Sempre alternando os olhares de seu saco de balas para o céu - azul, bonito, com muitas nuvens que pareciam adorar dançar ao redor do nada. Era mais um daqueles dias em que nada acontecia, mas travava uma batalha consigo mesma, procurando por respostas para perguntas que surgiam tão lentamente como uma daquelas nuvens engraçadas no céu. Mudando e tomando formas e rumos diferentes, se dissipando quase tão devagar quanto surgiram, indo embora sem permissão e deixando-na com todas aquelas duvidas e incertezas para o que seria um outro dia como aquele.Tão engraçado quanto fosse admitir que sua vida era previsível demais, não deixava de ser triste. Era mais uma daquelas pessoas que se permitiam parar e ver o tempo correr, sem planos ou expectativas. Não acomodadas demais ou angustiadas de menos, apenas alguém que não tinha mais vontade de deixar de apenas estar ali, sem motivo algum. Como alguém que não desistia nunca, mas estava cansada demais para continuar correndo.
Era assim que acontecia. Enquanto a vida passava diante de seus olhos, pegando carona em cada nuvem que soprava pra longe, ela mantinha-se ocupada com suas jujubas e todas aquelas perguntas sem repostas que roubavam tempo suficiente para fazê-la existir e nada mais.