quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

contos de farsas

Quando eu escrevo, passo todos os medos pro 'papel', passo todas as mentiras e dores e tudo aquilo que eu sinto - que eu sei - que nunca vou ter, coisas que são altas demais pra se alcançar, altas demais pra alguém com apenas um metro e cinquenta. Às vezes os contos não são tão inventados assim e dói muito fazer parecer que são, por puro medo de tornar o fracasso maior do que é. Palavras simples se tornam extremamente difíceis e dolorosas de se escrever, porque mesmo que sejam apenas palavras, são todas aquelas coisas que eu tenho medo de dizer em voz alta. Certa vez eu disse pra uma amiga que seria mais fácil viver um dos milhares de contos que eu escrevo, e realmente acho que seria. Quando se vive em um lugar onde não se existem muitas opções, viver uma mentira não parece ser tão ruim assim. Idealizar um lugar onde o que as pessoas dizem e sentem não faria diferença, onde meus sorrisos enferrujados e minhas palavras secas e meus olhares sem verdade não importariam, porque eu viveria pra mim e isso seria suficiente. E quando eu cansasse de viver o conto que imaginei, eu deixaria de escrever e colocaria um ponto final na história. Continuaria com as mentiras que vivo mesmo sem querer, as de verdade, as que fazem doer. No final das contas, acho que tudo o que mais quero é não sentir medo. Deixar as mentiras e as histórias de lado. Ser apenas eu.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Nunca

Nunca vou admitir como dói ver um sorriso sincero e saber que nunca vou poder fazer o mesmo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O mundo é um moinho...

Certo dia eu acordei, mas não levantei da cama. Porque tudo parecia difícil demais, e eu não queria fazer nenhum esforço. Meus olhos pesavam e meus braços e pernas não queriam se mover. Eu decidi que seria melhor voltar a dormir, mas não consegui. Esperei e esperei, mas o sono não veio. Eu estava cansada. Cansada demais pra levantar e cansada demais pra dormir. Pensei que aquele dia eu apenas existiria e seria o suficiente. E enquanto eu estava ali, ouvindo o silêncio e mais nada, cheguei a conclusão que fazia isso com muita freqüência. Existir, eu quero dizer. Não da maneira convencional do tipo 'eu estou viva', mas do tipo 'minha vida se resume a isso'. Disse a mim mesma que as coisas poderiam ser diferentes se eu quisesse e então percebi que não queria. Eu não gostava de mudanças. Nunca gostei. Porque, na maioria das vezes, quando você muda uma coisa, por mais valiosa que seja, você acaba se esquecendo de como ela foi anteriormente. E todas as lembranças, sejam elas boas ou ruins, vão embora com essa...coisa. Uma vez me disseram que não se deve olhar para trás, para os erros. Mas eu penso diferente. O que seria de nós sem os erros? O que seria da nossa vida sem fazer escolhas erradas e aprender com elas mais tarde? Eu sabia que errar era ruim, mas era parte da merda do processo pra se tornar uma pessoa melhor, não é? E pensando nisso respirei fundo enquanto avaliava tudo o que deixei passar. Tudo o que havia feito, todas as escolhas erradas. Uma vez minha mãe disse que eu era uma pessoa amargurada, que não gostava de viver. Pensei em responder, mas eu apenas fiquei quieta. E aquela noite eu pensei no que ela disse. Eu era amargurada, mas só porque já havia errado tanto e tinha que conviver com o que havia provocado todo maldito dia. Talvez eu não tivesse vontade de viver, mas só porque vi meus sonhos irem embora e se quebrarem diante de mim um por um. E seus sonhos são como objetivos, ambições. Se eu não tinha nada pelo qual me esforçar, eu não tinha motivos pra continuar aqui. Eu era a droga de um peso morto e sabia disso. E mesmo assim eu fui egoísta o suficiente pra continuar. Vi os anos se arrastarem e com eles a chance de conseguir algo pra mim. Sabe, recolher os pedaços do que havia restado de todo o meu futuro e tentar seguir em frente. Mas eu não fiz. E enquanto buscava forças em meu corpo e pedia a minha mente um pouco de conforto, pronta pra levantar da cama e conviver com minhas escolhas erradas, percebi que admitir os erros sempre vai ser mais fácil que aprender a conviver com cada um pesando em suas costas. Aquele dia eu não saí da cama.

Ouça-me bem, amor. Preste atenção: o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos; vai reduzir as ilusões a pó.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"Meu Deus,

me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio com uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu coração. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que a solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em Teus braços o meu pecado de pensar."

Clarice Lispector.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

#9

A impressão que eu tenho, é que as pessoas não se importam tanto quanto dizem.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

'Nunca fui muito boa nessa coisa de me descrever. Sempre achei que um gesto poderia dizer quem eu era, mais facilmente que um texto enorme. Já me identifiquei com livros e músicas. Algumas imagens também. Eu nunca disse que sou normal. Mas, na verdade, ser normal é completamente entediante.'

Ama dias de frio e noites de chuva. Adora ficar na rua olhando o céu e procurando as estrelas ou algum brilho fraquinho da lua, quando a noite está nublada. Tem uma trilha sonora só dela, e não gosta de dividir com mais ninguém. Pizza é o prato favorito, mas também adora comer arroz. Prefere o preto, mas o azul também é cool. Crê em Deus como seu Senhor e único Salvador, não importa o que as pessoas digam. Família e amigos são coisas sem as quais não saberia viver; o amor é incondicional. Apaixonada por velharia: blues e jazz a qualquer hora. Tem vários vícios, muitos dos quais nem tem consciência. TOC nas horas mais inoportunas e ri de tudo, o que acaba sendo uma grande furada na maioria das vezes. Já fez muita cagada na vida e derramou muitas lágrimas por pessoas que não mereciam. Hoje não se importa mais com o que dizem a seu respeito, mesmo que não seja pouca coisa. Escrever é a maneira mais fácil de desabafar e a coisa que mais gosta de fazer (principalmente em 3ª pessoa). Assim como os vícios, tem muitos defeitos também, mas aparentemente ninguém está a salvo disso. Costuma pensar que todas as pessoas tem dois lados; um que demonstram em publico e outro que reservam para si mesmas. Ganhou o título de pessoa mais carente do mundo e nem ousou discordar. Tem essa coisa de sentir vontade de chorar por tudo e não conseguir esconder de ninguém. Devoradora de livros assumida. Ouve a mesma música mil vezes e geralmente demora muito pra enjoar. Já começou a fazer muita coisa e nunca terminou; mania ridícula. Apesar de estar sempre sorrindo, nem metade de todos esses sorrisos são de verdade.Odeia filmes de terror e dias muito quentes. Se recusa terminantemente a comer palmito e cerejas; já tentou virar vegetariana e, desnecessário dizer que falhou miserávelmente. Não sabe demonstrar interesse e na maioria das vezes acaba fazendo papel de idiota; coisa que acontece com muita freqüência, na verdade. Sabe que conseguir viver a vida é um desafio que você tem que enfrentar todos os dias, mas gosta de fechar os olhos e imaginar que está tudo bem; mesmo que não esteja.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

The Fear


Quando somos crianças, uma das perguntas que mais ouvimos das pessoas, independente de quem elas sejam, é:
O que você quer ser quando crescer?
Eu nunca soube o que queria ser. Minha resposta sempre mudava. Algumas vezes eu dizia que queria ser professora e em outras eu dizia que gostaria de ser veterinária, como também já disse que gostaria de ser fotografa e médica. Lembro que costumava ficar brava, porque eu sempre recebia risinhos e incentivos seguidos de 'Você vai ter que estudar muito pra isso' ou 'Isso não seria ótimo?' dos adultos a volta. E então depois de um tempo, eu comecei a ficar realmente ofendida com aquela pergunta e apenas parei de respondê-la. Apenas dizia que não sabia o que queria ser ou respondia algo estúpido como 'Alta, pra variar'.
Com o passar do tempo, eu via coisas mudando e primos ou amigos mais velhos ralando muito pra conseguir ser alguém na vida e aquele sentimento bobo de estar ofendida quando me faziam a mesma pergunta foi substituído por medo. Minha mãe sempre quis que eu fosse advogada e grande parte da família do meu pai queria que eu seguisse carreira na medicina. Não importava quando tempo passasse, eu nunca soube responder aquilo com clareza e as duvidas apenas cresciam. Eu tinha medo de desapontar alguém com o que eu escolhesse e ser pressionada nunca ajudou em nada, diga-se de passagem.
E então o medo deu espaço para um sentimento maior chamado insegurança e eu cheguei ao ponto de apenas desejar que tudo desse certo no final. A vida me surpreendeu e me fez desistir de tudo por muito tempo, inclusive de ser feliz. Hoje eu ainda não estou inteira, mas estou quase 100% colada de novo. Depois de tanta insegurança e tanto medo, se me perguntassem o que eu quero ser 'quando crescer' eu responderia, sem medo, que ser feliz pelo resto da vida bastaria. Sem medo de sofrer e de derramar lágrimas. Sem pensar em todas as coisas que deixei de fazer e esquecer de todos os possíveis 'e se'. Eu diria que quero viver a minha vida sem arrependimentos com as pessoas que eu amo ao meu redor, sempre fazendo parte da minha vida como deve ser e com alguém que me ame com o mesmo desejo de bem-estar e felicidade que eu sinto.
Deixaria todas as lembranças ruins de lado pra dar espaço para que novas preenchessem minha mente e meus dias seriam novos e diferentes, todos eles vividos com satisfação.
É isso o que eu quero.

Só isso.