sexta-feira, 22 de julho de 2011

'Me perco, me procuro e me acho'

Disse a uma amiga que sabia o que queria, mas tinha medo. Ela sorria como o sol e era tão livre quanto um pássaro sem destino certo, coisa bonita e assustadora de se ver; inconstante, mas viva. Contei que desejava conseguir pular de um lugar para o outro sem medo de errar o passo, e ela disse que era como brincar em um balanço - a vida, eu quero dizer.
'-A primeira vista, parece assustador - ela disse, sorrindo um de seus sorrisos de sol - Você tem medo de subir, porque parece alto demais, perigoso demais.'
'-Ou, - comecei, pronta para entender - porque pareça imprevisível demais.'
'-Sim, mas veja: a primeira tentativa é sempre estimulante, você sempre vai desejar ir mais alto'
'-É verdade - admiti, pesarosa, e depois lembrei - Mas depois vem o medo de não conseguir descer.'
Ela riu e eu também me permiti sorrir, enquanto observava ela concordar com meu ponto.
'-E é natural. Assim como também é normal esperar que você caia e rale os joelhos na primeira tentativa de aproveitar.'
'-Sim, sempre fui afoita demais,. - prontamente reconheci, e ela manteve seu sorriso'
'-Pode ser. Mas nunca esqueça que, caso queira voltar, basta enterrar os pés no chão.'
Não tive outra opção a não ser beber tudo o que havia acabado de ouvir, palavra por palavra, enquanto observava o meu sol abrir suas asas mais uma vez.