quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Grande Rei

Pronto, agora você tem um coração que deixaria qualquer homem muito orgulhoso. Desculpa ter precisado fazer um remendo, mas não havia outro jeito.




Eu conheço um homem de lata em busca de um coração que ele nem sabe possuir. Só está um pouco enferrujado, amassado, descuidado, mas está ali. Ele acredita que só um mágico possa lhe dar um coração e que o que ele carrega no meio do peito não passa de um motor. Ah, homem de lata. Se você soubesse que a mágica está em como você se vê e que esse motor é, sim, seu coração e é lindo. Mas te entendo. Você quer um coração novo, de ouro, sem marcas do passado.
Eu conheço um príncipe crescido que se assustou com o mundo em que vive. Tanta dor, desrespeito, falta de amor, mentiras e vaidades. Ele se lembrou muito de sua rosa, que contava mentiras pequenas pra chamar sua atenção e se lembrou também do que a raposa disse sobre ser responsável por aquilo que cativas. E cansou. Cansou de cativar e ainda assim não ter. Cansou de amar em um mundo onde quem ama é visto como um palhaço. Ele trocaria fácil seu coração de rei por um de lata amassado, destruído, enferrujado e principalmente livre do peso de sentir. Coração que não bate, não sente, mas ainda vive por baixo da carcaça.
Eu conheço um homem de lata e ele não sabe a falta que seu abraço revestido de aço me faz.
Eu conheço um grande príncipe e ele não sabe o quão real é seu coração de menino.


(texto: Isa. G, ilustração: Plínio)
@amargoemeio @ogranderei

quarta-feira, 30 de julho de 2014



A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista,
Jennifer E. Smith
 página 91

terça-feira, 29 de julho de 2014

look for the girl with the sun in her eyes

Céu azul em dias frios. Café e livros. Narizes vermelhos e bolinhas. O ato de fazer alguém feliz. Abraços sem motivo. Adorar. Ser capaz de perdoar. Chuva (com ou sem arco-íris). Sorrisos - tortos, brancos ou não, com ou sem colgate; Só sorria. Faz bem pro seu coração e pro de quem vê, também. A ideia de todos serem bobos. Saber que ainda existe gente que ama. Sem motivos e reservas, apenas 'porque sim'. Filme e pipoca. Filme e pipoca com amigos. Amigos. Amigos bobos e estranhos - mas estranho é mais legal que ser normal. Imaginar dias bonitos e então esperar por eles. Ficar de preguiça na cama. Ficar de preguiça no sofá. Preguiça moderada em qualquer lugar. Preguiça com alguém. Amar alguém (e ser amado também). B-A-C-O-N. Música. Música de todo o tipo; música boa. Que fala com o coração, toca a alma e faz o sentimento escorrer pelos olhos. Chocolate. Brigadeiro ou na caneca. Família. De sangue, coração ou adoção. U. Palavras. Cantadas ou perdidas no papel, elas movem o mundo. Beijos. Beijo na bochecha, beijo roubado... beijo. Pizza. Duas pizzas! Passeios por aí; de trem, metrô, ônibus ou de chinelos. Com ou sem alguém. Ver o mar, sentir a areia nos pés e o sol beijar a pele. Ver o sol nascer e ir dormir; imaginar quem pinta o horizonte todos os dias e então sorrir, porque é uma das coisas mais lindas que você já viu. Pensar em todas as coisas boas e também nas ruins e não se arrepender de nada. Sentir saudade. Causar saudade. Escrever em primeira, segunda e terceira pessoa. Rir. Alto e estranho até que todos façam o mesmo. Meias. All Star sujo. Parede riscada. Quarto bagunçado. A ideia de alguém. Do cheiro, e covinhas e beijos e risadas e talvez um céu cheio de estrelas. Esperar com a promessa de ter o melhor. Abraços. Porque abraços nunca são demais.

Acho que-

domingo, 16 de junho de 2013

Nada como acordar, abrir os olhos e perceber a grande hipócrita que eu tenho sido comigo mesma até agora. Carpe Diem?

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dever e Virtude

Ainda pecadores, Deus mandou seu filho unigênito para viver entre nós. Ele nasceu, viveu e morreu, espalhando as boas novas e nos contando sobre o amor de um Deus bom e misericordioso que nos ama e nos quer, mesmo sendo tão falhos e pecadores. Conversando com uma grande amiga sobre varias coisas, ela me fez lembrar que, em todo o momento, mesmo sabendo que estava fazendo tudo aquilo pelo amor do Pai e por nós, Jesus estava aterrorizado. Santo, santo, santo, mas ele ainda era um homem feito de carne e osso que sangrava como qualquer um. Mesmo assim ele estava lá, morrendo nas mãos do povo por quem ele estava se sacrificando - a ingratidão é um dos sentimentos mais antigos do mundo, desde que Deus criou o homem.

Ser perseguido, humilhado, torturado e ter morrido por nós foi o maior ato de amor que o mundo já viu. E mesmo assim existiram e continuam existindo aqueles que preferem acreditar que aquele homem era apenas isso: um homem, ou que ele não existiu – que Ele foi apenas fruto da imaginação de outros homens sedentos por poder que queriam ter controle sobre nós e o mundo. Ingratidão e medo. É fácil viver com os olhos fechados.

Existem vários tipos de males que podem destruir uma pessoa, e o ato de odiar a outro ser humano é tão destrutivo quanto a pior doença que assola o mundo. É como se alguém fosse homeopaticamente dosado com pequenas doses de veneno. Tudo começa com um mal estar, e então você acaba ficando cada vez mais doente até que não exista nenhuma maneira de se curar. É um caminho sem volta. Acontece da mesma forma quando nos permitimos criar algum tipo de mágoa. Você pode não notar, mas o seu corpo vai reagir a isso. Eu sei, eu já experimentei. Tudo fica limitado a sua volta, porque você passa tempo demais remoendo aquilo e se permitindo ser dosado de novo.

Não se limite. Viva a vida intensamente sem tempo pra arrependimento e magoas e ame quem te magoou, porque essa pessoa também precisa disso. Sei o quão difícil é perdoar alguém que nos fez mal e machucou e que uma pessoa pode alcançar muitos níveis de crueldade, mas quando você sentir seu corpo reagir a isso, lembre-se da maior prova de amor do mundo. Parece absurdo colocar isso desse jeito, eu sei que nós não podemos nos comparar a Ele e tudo que foi feito, mas podemos tentar lembrar e nos espelhar.
Ele nos perdoou e continua nos perdoando a cada erro e pequena falha que cometemos, porque é que disso que se trata o amor de verdade. Se trata de sangrar e sofrer de maneiras e por tantos motivos diferentes, e perdoar quem nos feriu por ser o que Ele pediu. Amem uns aos outros como eu amei. Somos seres inteligentes e racionais, e faz parte de nossa natureza repelir e vilipendiar tudo aquilo que nos causa dor, mas, porque Ele nos criou em sua imensa sabedoria e misericórdia, também faz parte de nós amar e perdoar.

Não perdoe por dever, porque nos foi pedido. Não perdoe por pena ou conveniência, porque parece o certo. Perdoe porque você é capaz disso, porque Deus está exigindo isso do seu coração e porque te tocou. Ore e peça orientação. Rejeite as doses homeopáticas de veneno.

sábado, 20 de abril de 2013

Sobre sentir saudade

Hoje eu me dei conta de que esse é o sentimento que mais toma conta de mim. Muitas vezes eu paro e me permito pensar no quão saudosista eu sou. Eu tento me convencer de que não posso deixar as coisas que ficaram pra trás me afetarem, mas é só mais uma promessa que eu não sou capaz de cumprir.

Eu olho pra trás e penso em todas as pessoas que ficaram pelo caminho. O Chorão diz em uma música que "Só o que é bom dura tempo o bastante pra se tornar inesquecível", e é quando eu percebo que, durante toda a minha vida, eu estive rodeada por gente que protagonizou e eternizou vários momentos comigo. É engraçado, porque no momento em que as coisas acontecem, nós não damos o valor que elas merecem. Nós fazemos amizades e dizemos que vai ser pra sempre, mas no fundo a gente sabe que é tudo utópico.

(A surpresa vem quando os anos passam, e a amizade resiste ao tempo e se fortalece.)

Mesmo assim eu sinto saudade de quem ficou pra trás. Dos sorrisos e da risada fácil de gente que me fazia rir sem querer. De quem me magoou, mas passou tantas tardes brincando de bonecas comigo. Dos amigos que eu só vi por um dia, mas me cativaram o suficiente para que pudessem ser chamados de amigos. Saudade de momentos que duraram menos de vinte e quatro horas e que me fizeram sentir mais viva do que já estive minha vida inteira.

E que saudade de vocês, amigos imaginários, que me fazem bem mesmo estando há quilômetros de distancia. Vocês são mais reais que alguns sorrisos e abraços vazios que eu recebo constantemente. Obrigada por estarem comigo em palavras e pensamentos. Saudade dos abraços, beijos e mordidas que ainda não dei.

Que saudade que eu 'tava de escrever sobre saudade.

domingo, 14 de abril de 2013

Perder-se também é caminho...

Eu vivi. Eu fui eu mesma, me resgatei no meio de tantas Julias e Clarisses por algumas horas e foi reconfortante e libertador, ainda que tenha sido por algo tão bobo. Eu gritei quando quis, chorei quando deveria e fui feliz sem atrasos, tudo isso porque me arrisquei. Se em qualquer outro momento me perguntassem o que era a perfeição, eu não saberia o que dizer - mas naquele dia, seria fácil como respirar, responder que viver sem medo do mundo é o que torna tudo libertador. Tão mais gostoso que uma enorme taça de sorvete num dia de calor ou um abraço apertado num dia difícil. É bom olhar pro céu e imaginar o que existe além, sem medo de tropeçar nos pés ou parecer bobo diante dos olhos de alguém. Poder rir alto e de maneira esquisita, sem vergonha do que vão achar. Ficar o dia inteiro de pijamas comendo besteira. Andar descalço por aí, sem medo de cortar os pés nos cacos do espelho despedaçado que refletia um mundo feio e doente. No mundo perfeito pra onde eu fugi por um dia inteiro, não existia sujeira nem hipocrisia. Éramos meia dúzia de meninos perdidos, renegados pelo mundo e amados pelos Criador. Eu observei a lua até que desaparecesse e não dormi, só pra ver o sol nascer. Foi lindo. Imaginei que tinha alguém pintando o céu com os dedos lambuzados de tinta, e sorri.




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Sobre Palavras Não Ditas

Pelo canto dos olhos, você pode vê-lo tremer. É véspera de Natal, e ele detesta o inverno, mas não se importou em sair da cama quando você pediu. É um daqueles dias em que neva pouco, mas incessantemente, e por isso a rua está molhada e escorregadia. Por vezes vocês deslizam desajeitadamente ao longo da calçada, mas você sabe que não vai cair, porque sua mão está firmemente segura na dele. Ele está usando luvas, um gorro estúpido de lã e um cachecol igualmente terrível, além de mais camadas de roupa do que você pôde contar.

Mas quando você pergunta se está com frio, ele apenas revira os olhos e sorri.
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Ele sabe que é bom em muitas coisas, e talvez por isso seja tão difícil de acreditar quando você diz que cozinhar não é uma delas. Então você se contenta em observar, sorrindo como um gato que comeu um canário, enquanto ele se atrapalha ao redor da cozinha, deixando um rasto de sujeira e bagunça como prova de sua total incompetência como chef. Por um minuto você considera a possibilidade de ficar brava, mas foi apenas o tempo de que ele precisou para deslizar sorrateiramente até você e esmagá-la em um abraço quente, repleto de farinha e molho de tomate.
A bagunça não importa mais (há suco de tomate nas paredes e uma massa grudenta no ventilador de teto) – você só consegue pensar que não existe qualquer outro lugar no mundo onde deseja estar.

Quarenta minutos mais tarde, ainda não tomaram banho, e o entregador de pizza não tem muita certeza de que vocês podem pagar pela comida.

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Você sempre foi apaixonada por palavras. Elas alimentam, moldam e tem o poder de mudar as pessoas e o mundo pra melhor. Você escolheu isso pra viver porque foi o que sempre te atraiu e foi o que te transformou em quem você é. É fácil pegar um lápis e uma folha de papel e descarregar o que está sentindo. E toda a sua vida foi assim. Sendo movida por pontos e vírgulas porque era o suficiente - funcionava bem daquele jeito.

Ele é seu melhor amigo, e você ama o modo como ele sorri e te abraça, mas principalmente como te faz feliz sem precisar de muito. Você ama estar em seus braços e ama a sensação de não precisar de mais nada ou ninguém quando está com ele. E então descobre que ama poder alimentar o mundo, mas – de uma forma inexplicável – ama muito mais o fato de não precisar de mais que uma frase mal articulada de cinco palavras pra dizer o que está sentindo.

-Eu acho que amo você.

Ele sorri. Você está em seus braços novamente e ele não compartilha o seu sentimento por palavras, mas em cinco segundos vai demonstrar o quanto te ama – com a boca procurando ansiosamente pela sua.

Strawberry Fields Forever

Você estava ali o tempo inteiro. Nunca notaram isso.

Não seria bom se todos soubessem o seu nome? Não importa quantas vezes você faça o mesmo caminho, carregando mais fardos do que você é e sempre foi capaz de suportar; é como um rosto sem face. Você carrega o peso do mundo sob os seus ombros, e mesmo assim nunca ninguém foi capaz de te agradecer.

Continuava ali, com a mesma face cansada. Observando tudo, vendo o mundo girar em espiral, esperando o momento da queda. Não importa, não de verdade, que um dia você tenha sangrado e pago por todos os seus pecados – os deles também. Os homens não são capazes de admitir e conviver com seus erros. É mais conveniente suportar a dor.

É fácil viver com os olhos fechados.

domingo, 7 de abril de 2013

'Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas'

Existem aqueles que se perdem de maneiras destrutivas; a estes, não existe a chance de encontrar o caminho de volta. Ludibria e cria fantasias; permite que estes tolos viajem sem sair da sala e beijem as nuvens mais altas do céu sem tirar os pés no chão, mas o resultado desastroso é tão inevitável quanto o que se poderia esperar de alguém que fez todas as escolhas erradas na vida.

Também se perdem aqueles que excitados por um som – o arranjo bonito de uma sinfonia ou palavras doces sussurradas por alguém que a gente ama - bebem tudo o que ouvem. Acreditando e se deixando levar por coisas que talvez não devessem fazer sentido por serem tão vazias. Estes são aqueles que precisam saber de qualquer um que, independente de tudo, o mundo continua o mesmo e está tudo bem. As pedras continuam sendo pedras e as pessoas ainda precisam de ar para continuar vivendo. Tão certo como o sol nascer todos os dias, existe a certeza de que em algum momento, entre o certo e errado, se encontrem para dizer que aprenderam a se virar.

Eu sou daquelas que se perde entre as páginas de um livro surrado e marcado por mãos suadas e ansiosas por um final satisfatório; me permito esquecer de tudo o que existe a minha volta e sem pensar duas vezes me torno um personagem abstrato daquela estória; um narrador dispensável que se contenta em exclamar seus "oh's" e "ahh's" de vez em quando. Em certo ponto, alguém observaria enquanto eu, com meu nariz enterrado entre as folhas de um livro, riria de forma estridente ou choraria de maneira desconsolada, porque sem querer me tornei muito mais fiel aquele mundo e a seus personagens do que se podia esperar.

Às vezes me pego observando as pessoas e me impressionando com o quão influenciável o mundo pode ser; não importa de que maneira, todos nós acabamos por nos perder. O mundo seria um lugar melhor se não fosse mundo. Se não vivêssemos através do reflexo doente de um espelho, se não fizéssemos todos parte de uma sociedade fútil que mais parece uma tribo de canibais a espera da carne e sangue de alguém. Me acho quando o livro acaba, mas volto a me perder – dando mais e mais voltas – quando saio do meu papel de narrador e expectador.

É fácil entender porque as pessoas se perdem com tanta facilidade; é mais fácil estar alheio a toda a ignorância do mundo a ter de conviver com ela. Você nasce e cresce atento ao fato de que em algum momento terá de fazer uma escolha – como pretende se perder? – que vai ditar a sua vida dali para frente. E mesmo assim você não escapa do mundo. Você não escapa das escolhas e da mesquinharia das pessoas, mas acima de tudo você não escapa de quem você realmente é. Não importa quantos livros você leia, ou quantas pessoas você ame, ou quanta porcaria você obrigue seu corpo a ingerir.

Veja bem; o engraçado da vida, é que não importa a sua escolha – a maneira com a qual você se perdeu e mais tarde se encontrou, como você viveu. Mais inevitável que o possível resultado de suas ações, é a morte. Onde todos são iguais e compartilham do mesmo destino, onde a semelhança finalmente será friamente exposta. Todos nós deixaremos de tentar ser o que nunca fomos para sermos acolhidos e engolidos pela mesma terra que foi motivo de tanta ganância; tantas idas e vindas, encontros e desencontros.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Soneto 35

Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;

Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;

Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te excuso, e me convenço

Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

(William Shakespeare)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Saudade

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche...

(Martha Medeiros)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

and when I say that something

Vou te contar um segredo. Eu costumo exagerar nas coisas que faço, mas principalmente em tudo o que sinto. Posso ser realmente competitiva quando quero, e quando não gosto de alguém não existe coisa ou pessoa no mundo que me faça mudar de ideia. Quando eu sinto medo, fico aterrorizada de verdade e talvez até deixe de dormir por isso. Eu faço pé firme quando acredito em algo, e se quiser mudar minha opinião tem que ser muito convincente. Quando faço um amigo, assumo um compromisso - e não importa quanto tempo passemos sem nos ver, eu sempre vou estar aqui pra ele. Não tenho vergonha de admitir que me jogo de cabeça no que quero. Pode não ser saudável, mas gosto de pensar que é uma maneira de não desistir fácil das coisas que são importantes pra mim. Justamente por não fazer nada pela metade, é importante dizer que, quando eu sinto saudades, é sufocante ter de lidar com ela - como se nada fosse capaz de suprir com essa necessidade da presença. E talvez, só talvez, seja desnecessário dizer que, quando eu amo, eu amo; sem medo ou arrependimentos, apenas me entrego.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

'Me perco, me procuro e me acho'

Disse a uma amiga que sabia o que queria, mas tinha medo. Ela sorria como o sol e era tão livre quanto um pássaro sem destino certo, coisa bonita e assustadora de se ver; inconstante, mas viva. Contei que desejava conseguir pular de um lugar para o outro sem medo de errar o passo, e ela disse que era como brincar em um balanço - a vida, eu quero dizer.
'-A primeira vista, parece assustador - ela disse, sorrindo um de seus sorrisos de sol - Você tem medo de subir, porque parece alto demais, perigoso demais.'
'-Ou, - comecei, pronta para entender - porque pareça imprevisível demais.'
'-Sim, mas veja: a primeira tentativa é sempre estimulante, você sempre vai desejar ir mais alto'
'-É verdade - admiti, pesarosa, e depois lembrei - Mas depois vem o medo de não conseguir descer.'
Ela riu e eu também me permiti sorrir, enquanto observava ela concordar com meu ponto.
'-E é natural. Assim como também é normal esperar que você caia e rale os joelhos na primeira tentativa de aproveitar.'
'-Sim, sempre fui afoita demais,. - prontamente reconheci, e ela manteve seu sorriso'
'-Pode ser. Mas nunca esqueça que, caso queira voltar, basta enterrar os pés no chão.'
Não tive outra opção a não ser beber tudo o que havia acabado de ouvir, palavra por palavra, enquanto observava o meu sol abrir suas asas mais uma vez.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

keep you in the dark...

"A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias, e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.

Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação."


(Wikipédia)


Não sou a melhor em julgar o caráter das pessoas e geralmente nem dou muita importância pra isso (vivendo e aprendendo), mas eu 'to pedindo pra Deus pra eu não ter errado dessa vez. Ou isso realmente vai doer.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

One Last Chance

In my life I don't mean much to anyone
I've lost my way can't go back anymore
Once I had everything now it's gone
Don't tell me again coz I've heard it all before

Some people say that I'm not worth it
I've made mistakes but nobody's perfect
Guess I'll give it a try

I've got one last chance to get myself together
I can't lose no more time it's now or never
and I'll try to remember who i used to be
I've got one last chance to get myself together

The time has come for me to change again
I can't carry on like this, I will lose my friends
don't say that you have given up on me.
Just give me the time and space to heal my head

I don't wanna be misunderstood
I've got to take this chance and make it into something good

(One Last Chance, James Morrison)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crime Perfeito

Sabe de uma coisa? 'Tava aqui pensando na vida como costumo fazer às vezes - sempre - e é quase frustrante admitir, mas tu provavelmente não vai ser capaz de notar o que 'ta tão ridiculamente explícito há certo tempo nessa situação. O quão divertido é isso?

HA!

domingo, 26 de junho de 2011

happiness is...

A grama estava molhada quando ela deitou-se ali, braços e pernas abertos, cabelos espalhados por todos os cantos em uma bagunça bonita de se ver. Uma jujuba - vermelha, porque eram suas preferidas - na boca, tingindo-a gradualmente enquanto sentia o sabor doce se espalhar; a lingua estalando no céu da boca e fazendo um breve barulho engraçado. Sempre alternando os olhares de seu saco de balas para o céu - azul, bonito, com muitas nuvens que pareciam adorar dançar ao redor do nada. Era mais um daqueles dias em que nada acontecia, mas travava uma batalha consigo mesma, procurando por respostas para perguntas que surgiam tão lentamente como uma daquelas nuvens engraçadas no céu. Mudando e tomando formas e rumos diferentes, se dissipando quase tão devagar quanto surgiram, indo embora sem permissão e deixando-na com todas aquelas duvidas e incertezas para o que seria um outro dia como aquele.
Tão engraçado quanto fosse admitir que sua vida era previsível demais, não deixava de ser triste. Era mais uma daquelas pessoas que se permitiam parar e ver o tempo correr, sem planos ou expectativas. Não acomodadas demais ou angustiadas de menos, apenas alguém que não tinha mais vontade de deixar de apenas estar ali, sem motivo algum. Como alguém que não desistia nunca, mas estava cansada demais para continuar correndo.
Era assim que acontecia. Enquanto a vida passava diante de seus olhos, pegando carona em cada nuvem que soprava pra longe, ela mantinha-se ocupada com suas jujubas e todas aquelas perguntas sem repostas que roubavam tempo suficiente para fazê-la existir e nada mais.